domingo, 25 de janeiro de 2009

Conferência proferida por Roberto de Almeida Gallego durante o II Fórum de Saúde Social, 24ª Semana Gandhi, auditório da FAU/USP - São Paulo, 30 de se

Ao nos depararmos com a palavra "saúde", logo nos vem à mente aquele estado de
equilíbrio físico e mental que se contrapõe à condição enfermiça, patológica,
desvitalizada. A saúde seria, assim, a antítese da doença; representaria a condição
harmônica e integrada, de um ser.

Mas aí, desde logo, cabe a pergunta: de que ser estamos falando?

Somente cada ser individualizado é passível de gozar da saúde ou padecer da doença?
Ou o corpo social, enquanto grande ser, também teria estes atributos?

Qualquer um de nós, caso se dê ao trabalho de olhar à sua volta, há de concluir pela
segunda hipótese. Desde o nosso primeiro choro até o nosso último suspiro,
intercambiamos informações, atividades, emoções, sentimentos, silêncios, risos, choros,
pesares e desfrutes com o mundo à nossa volta. E também fazemos chegar ao mundo as
nossas omissões, que repercutem, decisivamente, na teia social, como instrumento de
manutenção de um status quo injusto e, por extensão, violento.

Somos, a um só tempo, mestres e alunos no devir universal, e isto nos torna, de modo
inafastável, responsáveis pelo nosso próximo, pela comunidade que nos alberga, pela
grande família humana e também pela Natureza, com a qual temos laços indissolúveis.

Portanto, parece inevitável inferir, deste quadro, que não seremos verdadeiramente
sãos enquanto, ao nosso lado, se fizerem presentes e atuantes a dor, a violência e o
sofrimento, derivados da injustiça. Daí o atualíssimo exemplo de Gandhi: a ação
corajosa no amor e pelo amor, preocupada não como a auto-salvação, mas com
a salvação de todos.

É interessante observar que a raiz etimológica do vocábulo "saúde" é a mesma da
palavra "salvação", a saber: salutem, salvus.

Desta forma, ser são é salvar-se; mas não há como se salvar, realmente, sem
empreender esforços para a salvação do corpo social que nos abraça. Isto porque,
estando, este macro-corpo, enfermo, tal abraço será de morte, não de vida.

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